13 março 2010

Teorias da Personalidade e Allport

HISTÓRIA PESSOAL
Em 1966, Allport propôs uma proposta epistemológica para a pesquisa da personalidade, a qual chamou de “Realismo Heurístico” (posição que aceita a suposição de senso comum de que as pessoas são seres reais, que cada um tem uma organização neuropsíquica real, e que o nosso trabalho é compreender tal organização tanto quanto possível).
Sua teoria afirma que aquilo que o indivíduo está tentando fazer (sua intenção de futuro) é a chave mais importante para como a pessoa vai se comportar no presente, e não o passado como muitos teóricos acreditam. (neste aspecto, idéias parecidas com as de Adler e Jung). Allport diz que a história do indivíduo torna-se uma questão de relativa indiferença, se ele no presente está impulsionado por desejos e intenções independentes daqueles que o motivaram em períodos anteriores.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA TEORIA DE ALLPORT:
Comportamento
O comportamento é visto como, inteiramente consistente e determinado por fatores contemporâneos.
Personalidade
Ψ Um enigma a ser solucionado da maneira mais adequada possível com instrumentos disponíveis.
Ψ “A personalidade é alguma coisa e faz alguma coisa... Ela é o que está por trás de atos específicos e dentro do indivíduo”.
Ψ Para Allport a personalidade não é apenas um construto do observador, tem uma existência real.
Ψ “A personalidade é a organização dinâmica, dentro do indivíduo, daqueles sistemas psicofísicos que determinam seus ajustamentos únicos ao ambiente.”
Ψ O termo “organização dinâmica” enfatiza que a personalidade está constantemente se desenvolvendo e mudando. A organização ou sistema une e relaciona os vários componentes da personalidade.
Ψ O termo “psicofísico” nos lembra que a personalidade não é nem exclusivamente mental, nem neural.
Ψ A palavra “determina” deixa claro que a personalidade é constituída por tendências determinantes que desempenham um papel ativo no comportamento do individuo.

A ESTRUTURA E A DINÂMICA DA PERSONALIDADE
Ψ Primeiramente representado em termos de traços, o comportamento é impulsionado pelos traços.
Ψ Conceitos como reflexos específicos e traços, ou o próprio Self, considerava como importantes para entender o comportamento.
Ψ A maior ênfase da teoria está nos traços, muitas vezes referida como uma Psicologia do Traço.

Comparação de Temperamento e Personalidade
Ψ O temperamento é a matéria-prima, juntamente com a inteligência e o físico, da qual é criada a personalidade.”

Comparação de Caráter e Traço
Ψ Demonstrou que caráter tem relação com um código de comportamento em termos do qual os indivíduos, ou seus atos, são avaliados.
Ψ “nós preferimos definir o caráter como a personalidade avaliada, e a personalidade como o caráter em valorização”.

Traços
“O traço era para Allport, o que a necessidade era para Murray e o instinto era para Freud”
Ψ O Traço (traço comum) é definido como uma “estrutura neuropsíquica capaz de tornar muitos estímulos funcionalmente equivalentes, e de iniciar e orientar formas equivalentes (significativamente consistentes) de comportamento adaptativo e expressivo”.
Ψ O traço em uma considerável extensão, na verdade, representa o resultado da combinação ou da integração de dois ou mais hábitos.
Ψ”Com o conceito de traços comuns, podemos fazer o que Allport chama de estudos comparativos do mesmo traço, conforme ele se expressa em diferentes indivíduos ou grupos de indivíduos”.
Ψ Disposição Pessoal ou Traço Morfogênico (antigo traço individual) é definido como uma “estrutura neuropsíquica generalizada (peculiar ao indivíduo) capaz de tornar muitos estímulos funcionalmente equivalentes, e de iniciar e orientar formas consistentes de comportamento adaptativo e estilístico”.
Ψ Com o conceito de disposições pessoais, o investigador pode estudar uma pessoa e determinar o que Allport chama de “a individualidade padronizada única da pessoa”.
Ψ A única diferença real, é que os traços não são designados como peculiares ao indivíduo (um traço poder ser compartilhado por vários indivíduos).
Ψ Embora os traços e as disposições existam realmente na pessoa, eles não podem ser observados diretamente, precisando ser inferidos a partir do comportamento.
Ψ Os traços ocupam a posição construto motivacional mais importante.
Ψ São “tendências” livres; ocorrem em face de “condições determinantes” diferentes e são inferidos a partir do comportamento, não diretamente observados. Inferimos baseado na freqüência com que a pessoa exibe um determinado comportamento, na variedade de situações em que aquele comportamento é exibido, e na intensidade do comportamento quando exibido.
Ψ Um estímulo externo ou algum tipo de estado interno sempre precede a operação do traço.
Ψ O simples fato de existirem traços múltiplos, sobrepostos e simultaneamente ativos sugere que podemos esperar com certa freqüência inconsistências aparentes no comportamento do organismo.
Ψ A maioria dos traços não é um reflexo de estímulos externos; o indivíduo busca ativamente estímulos que tornem apropriada a operação do traço.

Disposições Cardeais, Centrais e Secundárias
Ψ Disposições Cardeais: É tão geral que parece que podemos relacionar à sua influência quase todos os atos de uma pessoa que a possui. (observada em poucas pessoas).
Ψ Disposições Centrais: Representa tendências altamente características do indivíduo, entram em ação com freqüência e são muito fáceis de inferir. (mais típicas)
Ψ Disposição Secundaria: Ocorrência mais limitada, menos crucial para a descrição da personalidade e mais focalizada nas respostas que provoca.

Ego, Self e Proprium
Propôs que todas as funções do Self ou do Ego fossem chamadas de funções próprias, verdadeiras e vitais da personalidade (senso corporal, de quem se é, pensamento racional, auto-imagem, anseios próprios, estilo cognitivo e função de conhecer). Juntas, essas funções constituem o Proprium (onde se encontra a raiz da consistência que marca as atitudes, intenções e avaliações; não é inato, mas se desenvolve ao longo do tempo).

Ψ Aspectos do Desenvolvimento do Proprium:
-Durante os 3 primeiros anos: senso de Self corporal, senso de auto-identidade contínua, e auto estima ou orgulho.
-Entre os 4 e 6 anos: extensão do Self e auto-imagem.
-Entre os 6 e os 12 anos:percebe-se capaz de lidar com os problemas por meio da razão e do pensamento.
-Adolescência: intenções, propósitos em longo prazo e metas distantes.
Allport admitiu a importância de todas as funções psicológicas atribuídas ao Self e ao Ego, mas, para ele, os mesmos podem ser usados como adjetivos para indicar as funções próprias dentro da esfera total da personalidade.
Atribuiu ao Proprium o papel de organização da consciência genérica madura (a consciência do dever evolui para o “eu deveria” governada por anseios próprios e não proibições externas).

Autonomia Funcional
Ψ Uma dada atividade ou forma de comportamento pode-se tornar um fim ou uma meta em si mesma, apesar de ter sido iniciada por alguma outra razão.
Ψ Um comportamento pode ser continuado por um motivo diferente daquele que originalmente o provocou.

Ψ Níveis de Autonomia Funcional
-Autonomia Funcional Perseverativa: atos repetitivos e rotinas. (reforço parcial)
-Autonomia Funcional Própria: interesses, valores, sentimentos, intenções, auto-imagem, estilo de vida adquirido e, etc. Forneceu três princípios para a explicar: organizar o nível de energia; princípios de domínio e competência e, princípio da padronização própria.

DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE
O Bebê
Ψ É quase que inteiramente constituído por hereditariedade, pulsão primitiva e existência reflexa, não acreditava que tivesse uma personalidade.
Ψ Um modelo biológico do comportamento ou uma teoria baseada na importância da recompensa, na lei do efeito ou o princípio do prazer é perfeitamente aceitável como orientação para os primeiros anos de vida
Ψ Acreditava que já nos primeiros anos de vida possuía qualidades distintivas que tendem a persistir e fundir-se em modos mais maduros de ajustamento.
A Transformação do Bebê
Ψ Discutiu mecanismos ou princípios apropriados para descrever as mudanças de bebê a fase adulta. (diferenciação, integração, maturação, imitação, aprendizagem, autonomia funcional e extensão do Self.
O Adulto
Ψ “o que impulsiona o comportamento, impulsiona agora”, e não precisamos saber a história da pulsão para compreender sua operação.
Ψ “Na maioria dos casos, saberemos mais sobre aquilo que uma pessoa vai fazer se conhecermos seus planos conscientes do que suas memórias reprimidas.”
Ψ À medida que evitam motivações inconscientes e o grau em que seus traços são independentes das origens infantis representam medidas de sua normalidade e maturidade.
Ψ A personalidade madura precisa possuir, antes de tudo, uma extensão do Self (sua vida não deve estar limitada às suas necessidades e seus deveres imediatos. As satisfações e frustrações devem ser muitas e diversas).
Ψ Precisa ser capaz de relacionar-se, possuir uma segurança emocional e uma aceitação do Self.
Ψ Deve ser, realisticamente, orientado tanto em relação a si mesmo como à realidade externa; e possuir uma filosofia de vida unificadora.
Referências: Teorias da Personalidade: Calvin S. Hall; Gardner Lindzey, John B. Campbell, Artmed, 2000

2 comentários:

Unknown disse...

Olá,
Quais são as referências bibliográficas que você utilizou?
Att,
Caroline Avellar

Sandra SILVA disse...

Ola, Caroline Avellar. Referências: Teorias da Personalidade: Calvin S. Hall; Gardner Lindzey, John B. Campbell, Artmed, 2000, Obrigada pela visita

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